Óleo Essencial de Pimenta Longa

Óleo Essencial de Pimenta Longa

Por conta do safrol, existe um rígido controle sobre a
comercialização do óleo de pimenta longa no Brasil.
Requerem a autorização da Polícia Federal:
ISOSAFROL NCM 2932.91.00
SAFROL NCM 2932.94.00

Nome

Nome

Óleo Essencial de Pimenta Longa / Long Pepper Essential Oil

Nome Científico

Nome Científico

Piper hispidinervum

Componente de Destaque

Componente de Destaque

Safrol (safrole)

Descrição

Descrição

Líquido amarelado de odor resinoso, amadeirado.

Principais Aplicações

Principais Aplicações

Fabricação de heliotropina (fixador de fragrâncias) e butóxido de piperonila (agente sinergístico nos inseticidas e pesticidas naturais à base de Piretrum).

Escrito por Wagner Azambuja
Curso de Aromaterapia

Pimenta Longa

A Pimenta Longa (Piper hispidinervum) é uma planta que foi descoberta na década de 70 por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Encontrada no Vale do Acre (AC), trata-se de uma planta rústica, muito exigente em luz e água. É um arbusto, com ramos não pubescentes e pecíolo variando de 0,1 a 0,2 cm de comprimento. As folhas possuem formato oblongo-lanceolado ou oblongo-elíptico, variando de 14,5 a 22 cm de comprimento e 4,7 cm de largura. O ápice é acuminado a levemente cuspidado e a base é oblíqua a inequilátera. As folhas são levemente ásperas na face adaxial. As espigas possuem tamanho semelhante ao das folhas, com pedúnculos curtos, próximos a 1 cm de comprimento, bractéolas pedicelado-peltadas, quatro estames sem anteras e três estigmas sésseis. A forma mais utilizada para a propagação da pimenta longa é pelo uso de sementes. Estas são coletadas de espigas maduras, que são reconhecidas pela mudança da coloração verde para um tom mais escuro e acinzentado e também pelo amolecimento, passando de um estado mais rígido para um mais macio. As sementes são retiradas das espigas e lavadas em água corrente sobre uma peneira para sua limpeza. Depois são colocadas sobre papel à sombra para sua secagem. Quando secas podem ser armazenadas em vidros fechados sob refrigeração.

Cultivo

O plantio a campo deve ser realizado com mudas bem desenvolvidas, para facilitar a sobrevivência das mesmas e a concorrência com as plantas invasoras. O espaçamento de plantio utilizado está em torno de 1 m x 1 m, afinal, as plantas são podadas com freqüência, o que limita o seu crescimento. Em áreas mais extensas de plantio, para facilitar o acesso de veículos para o transporte da colheita, pode-se planejar o cultivo em talhões com ruas de acesso. A pimenta longa apresenta redução de crescimento em condições de estresse hídrico, o que prejudica o rendimento de biomassa e óleo essencial, sendo a irrigação uma prática recomendável para os períodos de estiagem. (*) a falta de água e a concorrência com plantas invasoras foram as causas preponderantes na redução do estande nas áreas de produção no município de Igarapé-Açu (PA), atingindo em média 41%. A colheita pode ser realizada pelo corte dos ramos cerca de 40 cm acima do nível do solo. O primeiro corte inicia quando a planta apresentar um desenvolvimento vegetativo satisfatório, dependendo das condições climáticas existentes, principalmente quanto a distribuição regular da precipitação pluviométrica. Dados: a produção média observada em Igarapé-Açu foi de 223 g de biomassa seca por planta, com uma amplitude de 176 g a 374 g, que pode ter ocorrido devido a fatores climáticos, manejo de cultura e variabilidade genética. Quanto à secagem, estudos amazônicos recomendam: 1) o viveiro deve estar coberto com um plástico transparente (as laterais também); 2) as folhas e os ramos finos devem ser colocados diretamente sobre o estrado de madeira em camadas finas; 3) durante o tempo de secagem, que dura aproximadamente 7 dias, o material deve ser revirado pelo menos 3 vezes, nas horas mais quentes do dia, para se evitar a fermentação; 4) o material já seco deve ser armazenado em sacos que permitem o fluxo de ar até a hora da destilação.

A pimenta longa apresenta redução de crescimento em condições de estresse hídrico, o que prejudica o rendimento de biomassa e óleo essencial, sendo a irrigação uma prática recomendável para os períodos de estiagem.

Óleo Essencial de Pimenta Longa

O óleo essencial de pimenta longa é rico em safrol e sua maior concentração está presente nas folhas, em torno de 98%, seguidas dos ramos jovens. Essas partes da planta apresentam de 50 a 70% de umidade, que deve ser retirada para a destilação, de forma a não apresentar riscos de fermentação da biomassa, cujo efeito é prejudicial ao rendimento e à qualidade do óleo essencial. Por esta razão, o processo de secagem da pimenta longa é a etapa mais importante pós-colheita, pois a extração do óleo essencial da biomassa fresca não permite a obtenção do teor mínimo de safrol (90%) exigido pelos mercados consumidores para comercialização. Durante a secagem, a fração química mais volátil do óleo essencial é eliminada pelo arraste de vapor d´água, elevando a concentração do safrol. O processo utilizado para a extração do óleo essencial de pimenta longa é por arraste de vapor d´água. Neste caso, o óleo é mais pesado do que a água e se acumula no fundo dos vasos separadores. Num destilador com capacidade para 400 Kg de massa seca e com produção de 60 a 90 litros de água por hora, a máxima extração de óleo geralmente ocorre por volta dos 90 minutos de destilação, a partir do qual ocorre uma gradativa redução. Aos 180 minutos, por fim, dá-se início ao término da destilação, com mais de 90% do óleo essencial extraído. Como já exposto, o principal componente do óleo essencial de pimenta longa é o safrol, um fenil-éter volátil. Esse composto é utilizado pela indústria como matéria prima na manufatura de heliotropina (fixador de fragrâncias) e butóxido de piperonila (agente sinergístico nos inseticidas e pesticidas naturais à base de Piretrum).

Safrol

 Abaixo algumas fotos do projeto da pimenta longa pertencentes ao acervo pessoal de José Azambuja, da QUINARÍ.

Safrol

Como já exposto, o principal componente do óleo de pimenta longa é o safrol, um fenil éter volátil que, em temperatura ambiente, mostra-se como um líquido viscoso composto por um anel aromático substituído por um padrão catecólico na forma de um grupo acetal, chamado de metilenodioxibenzeno, e uma ligação dupla não conjugada ao anel aromático, numa cadeia de três carbonos. Obtido por meio de uma destilação fracionada do óleo bruto citado, trata-se de um químico aromático de grande importância para a indústria, o qual é utilizado, principalmente, como matéria prima para a fabricação de heliotropina (fixador de fragrâncias que também produz um sabor aveludado de baunilha, com tonalidades florais) e butóxido de piperonila (agente sinergístico nos inseticidas e pesticidas naturais à base de Piretrum). A heliotropina, neste caso, é obtida por meio da isomerização do respectivo derivado propenílico, o iso-safrol, por aquecimento com potassa alcoólica, que por fim é oxidado. Deste processo, resulta – por destruição parcial da cadeia lateral, o aldeído 3,4-metilenodioxi-benzaldeído ou piperonal, mais conhecido por heliotropina ou heliotropine, que está presente em perfumes como LOVE, CHLOÉ (de 2010), por Chloé, PURE WHITE LINEN (de 2006), de Estée Lauder e muitos outros. Além disto, o safrol pode servir como precursor para a síntese de alguns ativos para a indústria farmacêutica, conforme demonstram vários artigos, em especial os resultados obtidos pela Faculdade de Farmácia da UFRJ – os quais foram compilados no belíssimo trabalho intitulado “The utilization of the safrole, principal chemical constituent of sassafras oil, in the synthesis of compounds actives in the arachidonic acid cascade: antiinflammatory, analgesic and antithrombotic”. Neste estudo, demonstrou-se, por exemplo, as rotas que levaram a obtenção dos “isosafroxicams“, que são anti-inflamatórios não esteroidais análogos do piroxicam (cujo protótipo foi lançado pela Pfizer em 1972). E não é só. O safrol ainda pode servir de precursor para a obtenção da paroxetina (um potente antidepressivo inibidor seletivo da recaptação da serotonina), de substâncias cardioativas como piperdardina e piperina, de certos prostanoides, entre outros.

Conforme já exposto, o safrol foi bastante utilizado nos Estados Unidos como aromatizante de bebidas tipo “root beer”. Todavia, em 1958 o FDA proibiu seu uso como aditivo alimentar nos EUA sob a alegação de que o safrol pudesse ser cancerígeno. Pesquisas com ratos, por exemplo, mostraram que a administração de safrol na dose de 5000 ppm levou ao aparecimento de tumores no fígado. Já em outro estudo, com cães, constatou-se que concentrações de 40 e 80 mg/Kg de safrol podem causar danos hepáticos extensos. Naquela época, acreditava-se que que as propriedades tóxicas do safrol estavam exclusivamente relacionadas com a presença da ponte metilenodioxila. Entretanto, novos estudos evidenciaram que o grupo toxicofórico reside na unidade C-3 – especialmente devido a sua fácil oxidação hepática por ação de enzimas microssomais dependentes do Cit-P450 seguida de sulfoconjugação do álcool alílico intermediário, levando à formação de espécies oxidativas reativas frente à nucleófilos bioorgânicos. Por esta razão, hoje o safrol é considerado como um provável agente carcinogênico em humanos. No Brasil, a ANVISA inclui tanto o safrol quanto o iso-safrol na lista de substâncias “PRECURSORAS DE ENTORPECENTES E/OU PSICOTRÓPICOS”, e, por isto, ambos estão sujeitos a rigorosos controles e fiscalizações, inclusive pela Polícia Federal. Em alimentos sólidos, a ANVISA diz que a concentração máxima de safrol e iso-safrol (a partir de fontes naturais) não pode ultrapassar 1 mg/Kg. Já em produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, esta concentração não pode exceder 100 ppm em produtos terminados e 50 ppm em produtos para higiene oral e dental, sendo proibida a sua presença em cremes dentais específicos para crianças. Por fim, algo bem preocupante: o safrol, infelizmente, tem sido empregado na fabricação clandestina de ecstasy (MDMA) por meio de sua aminação direta ou através da criação de um intermediário, o MDP-2-p. Nestes processos, o rendimento chega a 40%, ou seja, com 100 mL de safrol se obtém cerca de 40 g de MDMA quimicamente puro – uma droga potencialmente perigosa capaz de causar muitos prejuízos à saúde, de lesões irreversíveis nas células nervosas à morte súbita por colapso cardiovascular. Felizmente, do outro lado, a Polícia tem feito um excelente trabalho de investigação e já fechou vários destes laboratórios de fundo de quintal, sobrando aos seus responsáveis as punições cabíveis em lei.

Curiosidade

Até o início da década de 90, o Brasil era o principal produtor de safrol quando obtinha o produto da canela de Sassafrás (Ocotea pretiosa Mez) no sul do país. No entanto, a produção não sustentável criava o perigo iminente de extinção da espécie. Então, em 1991, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) proibiu a exploração da canela de sassafrás. De uma hora para outra, o Brasil passou de principal produtor mundial para importador. Hoje, os grandes produtores de safrol são China e Vietnã que usam os mesmos métodos destrutivos que eram empregados no Brasil na época da Canela Sassafrás. Tal prática compromete a oferta de safrol natural a longo prazo. Neste contexto, a pimenta longa é uma fonte alternativa de safrol natural que pode ser explorada de forma não destrutiva.

Mostrando 9 comentários
  • Julio Cesar
    Responder

    Por favor, alguém poderia me dizer qual é o preço /kg do safrol atualmente? No mercado externo, é possível encontra-lo variando de 5 a 40 dólares /kg, correto? Agora pergunto: com este projeto da pimenta longa, do Acre, tem produtor vendendo óleo piper a 160 dólares. Por que? Mão de obra (e o povo do Acre trabalha?)? Ou seja, não é viável para a indústria adquirir óleo de pimenta longa com o objetivo de extrair safrol. Não tem como competir com os preços da China e Vietnã. Não se fala mais em pimenta longa, esta é a verdade. É uma pena, pois, a pimenta longa é, de fato, uma alternativa SUSTENTÁVEL de obtenção de safrol – o que para nós, brasileiros, deveria ser motivo de muito orgulho e trabalho duro. Entretanto, infelizmente, ela é verde e amarela! É nativa de um lugar onde o povo não sabe valorizar o que tem, ou aquilo que a nossa terra oferece, sem nada em troca. Se a pimenta longa fosse nativa de qualquer país da Europa, sem dúvida, o mundo já estaria dependente dela. E não adianta…não adianta vocês, Srs pesquisadores, defende-la dizendo isso e aquilo, pois na prática, na indústria, ela já foi dada como mais um fracasso brasileiro!

    • Marcela
      Responder

      300 reais/Litro

      • Silas Negrão
        Responder

        Quantos Kg de biomassa seca, são necessários para produzir 1l de safrol? ou melhor quantos l safrol/hectare de área plantada?
        [email protected]

      • Jonas
        Responder

        Qual seu contato para compra?

  • Dougllas
    Responder

    Ola, Bom dia , eu gostaria de entrar em contanto vocês, teria como você me passa um email, ou algum outro meio de comunicação, meu email é [email protected] e meu numero residencial é 062 3317-2635 e 062 9367-8416 sou de Anápolis-GO. Se tiver como entra em contato por aqui, ou por outro meio, lhe agradeço desde já!

  • Abel Eduardo Netto
    Responder

    Olá, gostaria de entrar em contato com alguém para obter esse óleo de pimenta longa ou então comprar as sementes que posso cultivar em casa. Li muito sobre os benefícios desse óleo de safrol. Poderiam me ajudar?

  • Jonas oliveira
    Responder

    Gostei muito do seu comentário e gastaria de receber mais informações

  • Jonas oliveira
    Responder

    Eu gostaria de saber mais sobre essa plantação

  • Gilmat L. Antonio
    Responder

    Seria uma exelente fonte de renda aos brasileiros

Deixe uma resposta para Marcela Cancelar resposta

Curso de Aromaterapia

Aprenda a como utilizar toda a energia dos Óleos Essenciais ao seu favor.

img-aromaterapia
error: Conteúdo protegido!