Óleo Essencial de Capim Limão ou Lemongrass

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Óleo Essencial de Capim Limão

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Nome

Óleo Essencial de Capim Limão / Óleo Essencial de Capim Santo / Óleo Essencial de Capim Cidreira / Lemongrass Essential Oil

Nome científico

Cymbopogon citratus

Componente de destaque

Citral

Descrição

Líquido amarelado com um delicioso odor cítrico.

Principais aplicações

Bastante empregado na fabricação de fragrâncias e perfumes (nota cítrica) e de alimentos e bebidas, como flavorizante. Na aromaterapia, é considerado um óleo promotor da paz, da calma e da tranquilidade, atuando também como agente antisséptico e repelente de insetos.

Escrito por Wagner Azambuja
Curso de Aromaterapia

Capim Limão ou Lemongrass

O capim-limão, bem como as outras espécies aromáticas do gênero Cymbopogon, são originadas do Sudeste asiático e são exigentes em calor, umidade e radiação solar. Trata-se de uma planta perene, que forma touceiras devido ao seu intenso perfilhamento, e que pode atingir até 2 metros de altura. Suas folhas, ásperas ao tato e cortantes, são glabras, com 60 a 100 cm de comprimento e 0,5 a 1,5 cm de largura. Seu florescimento é raro, ocorrendo apenas em condições climáticas específicas e o plantio pode ser feito em qualquer época do ano nas regiões quentes, desde que não ocorra déficit hídrico. Suas lavouras, por fim, são geralmente exploradas por 3 a 5 anos, apresentando um rendimento de massa fresca de 50 a 60 toneladas de folhas por hectare ao ano, com a média de 4 colheitas por ano.

“Em regiões de temperaturas frias durante o inverno, o cultivo de capim-limão deve receber cuidados especiais, afinal, as geadas podem danificar toda a área foliar das plantas, podendo, inclusive, causar a morte daquelas menos resistentes.”

Óleo Essencial de Capim Limão

O óleo essencial de capim-limão, conhecido internacionalmente como lemongrass oil, é extraído por destilação a vapor das folhas verdes ou secas de algumas plantas do gênero Cymbopogon, que possui aproximadamente 56 espécies aromáticas. Dentre essas espécies, há duas que predominam comercialmente. A primeira delas, de nome científico Cymbopogon flexuosus, é conhecida como capim-limão da Índia Oriental, sendo este o capim-limão do qual tratam os livros de aromaterapia internacionais (às vezes erroneamente chamado de citronela ou confundido com a mesma). Já o segundo é o Cymbopogon citratus, conhecido no Brasil por capim-cidreira, erva-cidreira ou capim-santo. São plantas diferentes, e, no Brasil, existe um predomínio da segunda, o C. citratus. A diferença básica entre as duas espécies está na composição química de seus óleos essenciais, variáveis de acordo com a diversidade genética, o habitat e os tratos culturais das plantas. Basicamente, os dois óleos possuem um alto teor de citral (algo em torno de 75%, constituído pelos isômeros neral e geranial), componente responsável pelo “cheirinho de limão” e utilizado na produção de vitamina A e betacaroteno. Porém, o de C. citratus apresenta maiores porcentagens de mirceno em relação ao de C. flexuosus, que pode chegar até 7% de sua composição e que lhe confere outras propriedades. Além disso, ambos contêm cetonas (principalmente metil-heptenona), alcoóis (geraniol, nerol, citronelol, metil-heptenol, farnesol e outros) e, por fim, terpenos (dipenteno, etc).

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• para dosar o citral, emprega-se, com frequência, o método volumétrico com cloridrato de hidroxilamina.
• o mirceno, existente em maior quantidade no óleo de C. citratus, é bastante empregado como intermediário na fabricação (em larga escala) de alcoóis terpênicos, como geraniol, linalol, mentol e seus derivados.
• no Brasil, o capim limão começou a ser cultivado no final da década de 30, no estado de São Paulo, local onde atualmente, uma plantação alcança uma vida útil de até 4 anos, com cerca de 3 a 4 cortes por ano. Dados: sabe-se que nas plantações paulistas, um hectare produz, aproximadamente, de 60 a 90 toneladas de folhas por ano, em 2 a 3 cortes donde se extraem de 160 a 220 quilos de óleo essencial, com rendimento médio de 0,26% relativamente ao peso do material destilado.

Curso de Óleos Essenciais e Aromaterapia

No Paraná, o rendimento médio em óleo essencial é de 0,6% sobre a massa seca, o que resulta numa produção média de 40 kg de óleo por hectare.

Aplicações

Na cultura popular, essas plantas são indicadas como calmantes e sedativas, além de combaterem a febre e a dor de cabeça. Quanto aos óleos essenciais, ambos apresentam propriedades antiespasmódicas, tanto no tecido uterino como no intestinal, entretanto não demonstram atividade sobre a musculatura cardíaca e esquelética. Isto se deve, especialmente, ao teor de citral. É ele também (citral) o principal responsável pelas propriedades antibacterianas e antifúngicas destes óleos. Em um estudo com Candida spp, fungo responsável por diversos tipos de infecções na pele ou nas membranas mucosas, apenas 8 μL do óleo de C. citratus gerou halos de inibição de até 40 mm em ensaios de disco difusão; resultado equivalente a outros antifúngicos comerciais indicados para Candida. Em outra pesquisa, ainda com C. citratus, verificou-se sua eficácia contra Aspergillus flavus, espécie de fungo produtor de aflatoxina – uma perigosa micotoxina que pode levar ao câncer. Aqui, aliás, seu potencial foi superior a outros antifúngicos comerciais, como mancozebe e agrosan. Já sobre a atividade bactericida, ambos os óleos demonstram ação contra um considerável número de bactérias gram positivas e negativas, a exemplo de Staphylococcus aureus e Escherichia coli. Na aromaterapia, o óleo de capim limão também é bastante utilizado como sedativo e calmante, porém, neste caso, é o mirceno (e não o citral) o componente responsável por esta atividade. Por esta razão, é o óleo de C. citratus, mais rico em mirceno, que demonstra uma ação mais interessante no sistema nervoso periférico, atuando também como analgésico. Ou seja, uma simples massagem com este óleo pode ajudar bastante contra o estresse, tensão nervosa, irritação e dores musculares, além é claro de “purificar” o corpo, dada suas propriedades bactericidas e fungicidas.

Na Índia, o óleo essencial de capim limão é utilizado para tratar de problemas gastrointestinais. Algumas fontes, inclusive, afirmam que este óleo influencia no peristaltismo gastrointestinal, acalmando-o. Porém, na literatura científica, isto ainda não está completamente elucidado. O que se tem, sim, são artigos demonstrando a sua eficácia contra a gastroenterite bacteriana, por vezes causada por Campylobacter jejuni, e que pode acarretar em diarreia, náuseas, vômitos, presença de muco ou sangue nas fezes e perda de apetite. Por conta principalmente do seu teor de citral, este óleo também é um excelente repelente de insetos. Contudo, em alguns casos, ele pode atuar como uma isca, atraindo para si diversas espécies. É o caso das abelhas, Apis mellifera, que são atraídas por este óleo em virtude da sua composição química, bastante semelhante ao feromônio da atração – conhecido por nasonov – liberado por elas com o objetivo de localizar e atrair seus membros durante a enxameação. Ainda, o óleo de capim limão (C. flexuosus e C. citratus) é utilizado como flavorizante pela indústria alimentícia e farmacêutica. Nelas, tal como ocorre na perfumaria, ele é um dos responsáveis pelo toque cítrico, de limão, que são encontrados em diversos produtos, como em bolachas, bolos, sorvetes, xaropes e outros. Aqui, no entanto, faz-se necessário um adendo: a ingestão deste óleo deve ser evitada por pessoas que fazem uso de medicamentos que são metabolizados pela família de enzimas CYP2B6, tais como a bupropiona, efavirenz, nevirapina, ciclofosfamida entre outros. Afinal, de acordo com Robert & Young (2014) em “Essential Oil Safety”, o citral e o geraniol – presentes neste óleo – são capazes de inibir as enzimas CYP2B6, o que pode fazer com que estes fármacos permaneçam por mais tempo ativos no organismo e alcancem concentrações tóxicas. Por fim, na indústria química, o óleo de capim limão é empregado como fonte de obtenção de citral natural (utilizado na síntese de vitamina A e iononas), bem como de outros químicos aromáticos, via destilação fracionada.

Mirceno

Um estudo de 1979 com o título “Selective oocyte degeneration and impaired fertility in rats treated with the aliphatic monoterpene, citral” alerta – através de um experimento com ratos – que o citral pode prejudicar o sistema reprodutivo feminino pelo fato de reduzir o número de folículos ovarianos. Todavia, este efeito só foi registrado após uma série de seis injeções mensais de citral na dose de 300 mg/kg. Isto equivale, mais ou menos, a injetar – no abdômen de uma mulher – cerca de 25 mL de óleo essencial de capim limão puro, o que é um absurdo. Então, embora exista alguma “advertência” sobre o uso de citral por gestantes, a concentração necessária para ocasionar algum possível problema é muito alta – motivo pelo qual ele é considerado seguro para a utilização em grávidas por várias escolas.

Diabetes, Glicose e Citral

A glicose é um carboidrato (açúcar) do tipo monossacarídeo que é utilizado como fonte de energia primária pela maioria dos organismos vivos, além de fazer parte de importantes vias metabólicas. Sua concentração, no sangue, é rigidamente controlada por vários hormônios, tais como a insulina e o glucagon. Grosso modo, a insulina diminui a concentração de glicose no sangue ao atuar como uma espécie de “chave”, que abre as “fechaduras” das células do corpo para a glicose entrar (nas células) e ser transformada em energia. O glucagon, ao contrário, aumenta a concentração de glicose no sangue através de mecanismos como o aumento da degradação do glicogênio hepático em glicose. No caso de uma hipoglicemia, por exemplo, o indivíduo geralmente apresenta alterações motoras e mentais, podendo, inclusive, ser fatal. Já na hiperglicemia crônica, o diagnóstico é de diabetes, doença que – quando não adequadamente tratada – pode trazer ao indivíduo vários transtornos, como lesões oculares, renais, cardíacas e nervosas. De acordo com Chung (2010) em “Anti-diabetic effects of lemon balm essential oil on glucose- and lipid-regulating enzymes in type 2 diabetic mice”, óleos essenciais ricos em citral, tal como o de capim limão, demonstram efeitos hipoglicemiantes quando ingeridos em determinadas doses. Em seus estudos com animais, Chung demonstrou que ratinhos alimentados com 0,015 mg/dia de óleo de melissa (rico em citral), durante seis semanas, tiveram uma redução média de 65% na concentração de glicose no sangue bem como um aumento significativo dos níveis séricos de insulina e uma melhora na tolerância à glicose em comparação com o grupo controle. Este é, sem dúvida, um excelente resultado, cujo mecanismo de ação, segundo os autores, está baseado no aumento da captação de glicose e na inibição da gliconeogênese hepática, tal como alguns fármacos antidiabéticos, como a rosiglitazona e pioglitazona. (*) gliconeogênese é o processo através do qual precursores como lactato, piruvato, glicerol e aminoácidos são convertidos em glicose. Infelizmente, até o momento em que este texto foi escrito, nenhum estudo sobre o efeito hipoglicemiante do citral em humanos foi encontrado. Todavia, o que se têm até aqui, com animais, é bastante promissor neste sentido.

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Mais um Pouco Sobre “Citral”

O citral é um produto bastante versátil, o qual vem sendo empregado por vários setores da indústria. Aprovado, inclusive, como aditivo alimentar pelo FDA (Food and Drug Administration), ele vem sendo bastante utilizado na formulação de aromas pela indústria alimentícia, em especial para realçar o sabor de limão – principalmente de doces. Em cosméticos, é empregado como fragrância e como agente terapêutico, embora não seja categorizado como um ativo. Porém, a ANVISA determinou que a concentração de citral em cosméticos deve ser sempre indicada no rótulo dos produtos quando a % exceder a 0,001 % nos produtos sem enxágue e 0,01 % naqueles com enxágue. Isto é válido, afinal, sabe-se que algumas pessoas podem manifestar reações alérgicas quando em contato com o citral. Ainda neste sentido, estudos mostram que estas reações (dermatites) podem ser reduzidas quando o citral está misturado a outros químicos, como limoneno e alfa-pineno. Ademais, de acordo com resultados disponibilizados no Sigma-Aldrich Plant Profiler, o citral é um biocida eficaz contra diversas espécies de microrganismos e demais pragas. Por exemplo: num estudo contra a lagarta do cartucho (Spodoptera frugiperda), que ataca diversas culturas agrícolas no Brasil, o citral – na dose de 3 µg/mg de inseto, via aplicação tópica – aniquilou 64% das amostras, um número bem mais expressivo que alguns biocidas comercialmente registrados. Já na indústria química, o citral é utilizado na síntese de vitamina A, um nutriente lipossolúvel de vital importância para o ser humano, e ionona (condensando o citral com a acetona). Além disso, a condensação simples do citral com álcoois e glicóis produz alguns cetais, como o citral propileno glicolacetal, todos com emprego nas indústrias de aromas e alimentos. Por fim, na indústria de fragrâncias e perfumes, o citral é empregado com o intuito de dar um efeito cítrico à composição, o qual está presente no Eau de Rochas (1970), de Rochas, White Linen (1978), de Estée Lauder, 1881 Pour Femme (1995), de Cerruti, Chrome (1996), de Azzaro e Cotton & Verbena (2011), de Hugo Boss, entre outros.

Na terapêutica, o citral tem demonstrado um notável potencial antibacteriano e antifúngico, o qual já vem sendo empregado como antisséptico há muito tempo, ainda que empiricamente. Contudo, modernas técnicas, como as que utilizam a microscopia eletrônica de varredura (MEV), mostram que o citral de fato é um antibacteriano eficaz, capaz de eliminar diversos tipos de MOs, conforme evidenciado pelos estudos com Cronobacter sakazakii – uma bactéria que causa uma infecção rara, mas muitas vezes fatal, da corrente sanguínea e do sistema nervoso central. Neste estudo, ficou claro que o citral atua diminuindo a concentração de ATP intracelular de C. sakazakii, levando a um colapso metabólico, bem como danificando suas membranas celulares (por hiperpolarização) e diminuição de pH. Provavelmente, este seja o mecanismo de ação do citral no combate as demais bactérias. Já com relação aos fungos, artigos publicados no Journal of Microbiology afirmam que o citral liga-se ao ergosterol, um componente da membrana celular destes organismos, causando desestabilização de suas membranas e morte. Por fim, um artigo de 2016, publicado na prestigiada revista Nature com o título “Modulation of oxidative stress and subsequent induction of apoptosis and endoplasmic reticulum stress allows citral to decrease cancer cell proliferation”, mostra que o citral é capaz de inibir o crescimento in vivo de tumores de mama 4T1 através de um mecanismo não citotóxico. De acordo com este estudo, o citral provoca um estresse oxidativo por meio do aumento dos radicais de oxigênio intracelular. Desta maneira, ativa-se o gene p53, considerado o “guardião do genoma”, que induz a interrupção do ciclo celular nas fases G1 e S, resultando na apoptose das células geneticamente defeituosas. Além disto, o citral ainda tem demonstrado resultados positivos contra outros tipos de câncer, como na indução da apoptose em células leucêmicas HL-60. Porém, obviamente, o desenvolvimento de qualquer produto comercial com citral para estas finalidades ainda tem um longo caminho de estudos e ensaios, mas não há como negar: o que se têm até aqui é bastante promissor.

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Produto: Óleo Essencial de Capim Limão
Marca: QUINARÍ
Registro na ANVISA: 25351.179913/2017-23

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Comentários
  • Ricardo
    Responder

    Chá de Capim-limão (Cymbopogon citratus)

    Cólicas intestinais e uterinas. Quadros leves de ansiedade e insônia, como calmante suave;
    Infusão: 1-3 g (1 a 3 col chá) em 150 ml (xíc chá);
    Utilizar 1 xíc chá de 2 a 3x ao dia.

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