Geraniol

Geraniol

Nome(s): Geraniol / Rhodinol
Fórmula Molecular: C10H18O
Número CAS: 106-24-1
Características: Líquido oleoso amarelado de odor floral
Fontes Naturais: Óleos essenciais de citronela, gerânio, limão, palmarosa, rosas e outros
Aplicações: Perfumes (nota floral), cigarros (aromatizante) e repelentes

NO ATACADO: em torno de USD 29,80 /Kg | Verificar a disponibilidade: (42) 99981 0808 ou (42) 99114 0808
[Ger]

Escrito por Wagner Azambuja

 

Geraniol

 

O geraniol, de fórmula molecular C10H18O, é um álcool terpênico insolúvel em água naturalmente encontrado nos óleos essenciais de citronela (tipo java), gerânio, limão, palmarosa, rosas e muitos outros. Também chamado de rhodinol (geraniol+citronelol), trata-se de um componente que se transforma em alfa-terpineol (um terpeno cíclico) em soluções ácidas e, quando oxidado, converte-se em geranial ou citral. Em sua molécula, tem-se um álcool conjugado a uma ligação dupla tetrassubstituída (álcool alílico) e uma ligação dupla tetrassubstituída isolada, no início da cadeia, caracterizando uma unidade isoprênica típica dos terpenos. Com esta estrutura, durante as décadas de 40 e 60, empresas como Millenium, Union Camp e Bush Boake Allen, desenvolveram rotas sintéticas para a sua produção a partir do alfa e beta pineno. Apresenta uma coloração amarelada, solidifica-se a -15 °C, evapora-se a 230 °C e apresenta um agradável odor de rosas, o que justifica o seu vasto emprego pelas indústrias de cosméticos e de perfumaria.

 

 

Aplicações

 

O geraniol é um álcool monoterpeno de grande importância para a indústria, o qual vem sendo utilizado em diversos processos. Aprovado como GRAS (Generally Recognized As Safe) pelo FDA e pela FEMA, e aprovado pela ANVISA para a utilização em agrotóxicos, domissanitários e cosméticos, trata-se de um produto com um agradável cheirinho de rosas bastante tolerável, o qual possui uma toxicidade aguda e subcrônica praticamente insignificantes – embora em alguns casos (raros) ele possa causar alergias. Por esta razão, a ANVISA determinou que no Brasil a concentração de geraniol em cosméticos deve ser sempre indicada no rótulo dos produtos quando a % exceder a 0,001 % nos produtos sem enxágue e 0,01 % naqueles com enxágue a fim de informar ao consumidor (alérgicos) de sua presença. Na indústria de perfumes, o geraniol pertence à família olfativa das notas róseas, e, por isto, costuma ser empregado na composição de fragrâncias florais, geralmente femininas. Em um estudo europeu, constatou-se que ele está presente em 76% dos desodorantes e em 41% dos cosméticos vendidos na Europa. O geraniol também é um eficiente repelente de insetos, onde, sua baixa toxicidade e biodegradabilidade favorecem o desenvolvimento de vários produtos, inclusive de repelentes domésticos – em alternativa ao DEET, N,N-dietil-meta-toluamida, um ativo sintético extensivamente empregado nesta área. Em um estudo israelense, o geraniol foi capaz de repelir 75% das fêmeas de Aedes aegypti ao ar livre, resultados superiores aos obtidos com a citronela (22%) e linalol (58%). Já contra o ácaro Tyrophagus putrescentiae, comum em alimentos armazenados ricos em proteínas ou gorduras, observou-se que o geraniol obteve melhores resultados em comparação com o próprio benzoato de benzila, comercialmente utilizado para este fim. E não é só. O geraniol também demonstra alterar o comportamento de algumas espécies, a exemplo do Aedes albopictus, cuja capacidade de procurar um hospedeiro foi reduzida a quase 100% após a exposição de 0,250 µg / ml. Nos EUA, aliás, já existem diversas marcas de repelentes com o apelo “DEET free” contendo o geraniol como único componente ativo, a exemplo do BugBand.

Farmacologicamente, o geraniol também apresenta diversas propriedades interessantes, de antifúngico eficaz à agente antitumoral (com será visto a seguir). De acordo com um estudo publicado no Library of Medicine, o geraniol não só é eficaz contra Candida albicans – espécie de fungo oportunista que causa infecções orais e vaginais em humanos – como também contra outras espécies de fungos. Neste caso, seu mecanismo de ação está relacionado com uma perturbação da parede celular através de sua interação com o ergosterol, o qual inibe, também, atributos de virulência da morfogênese das hifas, como a formação de biofilmes. De acordo com um estudo realizado em 2012 na UNESP, o geraniol também mostra-se como um gastroprotetor natural, afinal, na dose de 7,5 mg/Kg, forneceu uma proteção de 70% num modelo de úlcera péptica induzida por etanol absoluto. Além disto, os dados ainda demonstram uma atividade antioxidante, onde ele conferiu uma proteção a mucosa gástrica de 71%. Como bactericida, o geraniol é particularmente eficaz contra Escherichia coli, o qual apresentou uma BA50 de 0,15, mas também mostra-se ativo contra várias outras espécies, inclusive no estado gasoso contra patógenos do trato respiratório, como Streptococcus pneumoniae, Streptococcus pyogenes e Staphylococcus aureus. Além disto, foi observado um efeito sinérgico quando em associação com o norfloxacino, um antibiótico comercial de amplo espectro. Como antioxidante, o geraniol demonstrou acentuadas atividades contra o radical DPPH, 87,7%, 235,9 mg de Trolox equiv/ml, e ainda aumentou em 45% a atividade da enzima superóxido dismutase (SOD) – extremante importante no mecanismo de regulação do estresse oxidativo. A desregulação deste mecanismo, em última instância, produz alterações moleculares relacionadas ao envelhecimento, arteriosclerose, câncer, doença de Alzheimer, diabetes e asma. Por estes motivos, fica claro que o geraniol é bem mais do que um líquido cheiroso, o qual pode, sim, ser explorado terapeuticamente pela indústria farmacêutica.

O geraniol também é um eficiente repelente de insetos, onde, sua baixa toxicidade e biodegradabilidade favorecem o desenvolvimento de vários produtos, inclusive de repelentes domésticos – em alternativa ao DEET, N,N-dietil-meta-toluamida, um ativo sintético extensivamente empregado nesta área.

Geraniol Contra o Câncer

 

Além da sua utilização em vários produtos comerciais, incluindo cosméticos e fragrâncias finas, está comprovado que o geraniol exerce um amplo espectro de atividades farmacológicas, conforme já exposto. Porém, vem ganhando notoriedade (e portanto maior atenção), os resultados deste álcool monoterpeno contra o câncer; não só como ativo direto, mas também como um agente sensibilizador de células tumorais para facilitar a quimioterapia convencional, como as que empregam 5-fluorouracil (5-FU) e docetaxel. De acordo com o estudo “The antitumor effects of geraniol: Modulation of cancer hallmark pathways”, publicado em 2016 no Library of Medicine – National Institutes of Health, o geraniol é capaz de exercer influência em diversas vias de processos biológicos bem como em múltiplas moléculas de sinalização, interferindo no ciclo celular, sobrevivência e proliferação celular, apoptose, autofagia e metabolismo. Segundo ele, o geraniol é capaz de suprimir o crescimento das células do tipo MCF-7, que são células de câncer de mama responsivas ao estrógeno, sem exercer qualquer atividade sobre as células normais da mama, as MCF-10F. Neste caso, o geraniol induz a interrupção do ciclo celular na fase G1 através diversos mecanismos moleculares, que não estão relacionados a uma redução na atividade da HMG-CoA redutase ou com a limitação dos níveis de mevalonato de células (como se pensava). Já contra o câncer de próstata, ele induziu as células doentes, as chamadas PC-3 (cultivadas e enxertadas), a apoptose através de um mecanismo que envolve a despolarização do potencial da membrana mitocondrial e a ativação da caspase-3. Além disto, o geraniol ainda demonstrou suprimir o crescimento tumoral em ratinhos que receberam células de hepatoma Morris 7777 transplantadas e comprovou exercer uma atividade antiproliferativa contra as células de adenocarcinoma colorretal (Caco-2) por meio da interrupção do ciclo celular na fase S. E não é só. O geraniol também apresentou bons resultados contra o câncer de pulmão e pancreático. Porém, é importante citar que o desenvolvimento de qualquer produto comercial a base deste monoterpeno, contra o câncer, ainda tem um longo caminho de estudos e ensaios, mas não há como negar: o que se têm até aqui é bastante promissor.

Comments
  • Ary Fernandes Junior
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    Gostgaria de saber se voces comercializam o geraniol obtido de palmarosa!! Seria para uso numa pesquisa que estou realizando na UNESP
    att
    prof. Ary Fernandes Junior

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